Importância do ômega-3 na saúde ocular

Importância do ômega-3 na saúde ocular

Em 10 de julho é comemorado o Dia da Saúde Ocular, data na qual se visa conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do tratamento das doenças oculares. As mais prevalentes na população são a catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética, a degeneração macular, a síndrome do olho seco e a conjuntivite, sendo que a maior parte delas, se não acompanhadas de forma adequada, pode acarretar na perda da visão, impactando na qualidade de vida do indivíduo.

Vale ressaltar a importância da alimentação e da suplementação integradas, de forma a complementar o cuidado efetivo e até auxiliar na prevenção de algumas dessas desordens. Alguns nutrientes são chaves para isso, pois atuam e fazem parte de diversas componentes oculares, como a retina e mácula, sendo eles a luteína, zeaxatina, vitamina C, vitamina E, vitamina A, zinco e, um dos mais importantes, o ômega-3 (PELLEGRINI et al., 2020).

O ômega-3, principalmente o DHA, é fundamental para o desenvolvimento ocular durante a gestação, demonstrando assim a importância desses ácidos graxos para a saúde ocular (MUN et al., 2019). Além disso, dois dos principais fatores desencadeadores dessas patologias são o estresse oxidativo – devido à exposição em longo prazo a diversos agentes, como raios ultravioletas e toxinas ambientais – e a inflamação, sendo a suplementação com ômega-3 (EPA e DHA) indicada para auxiliar no controle dessas desordens devido às suas ações antioxidante e anti-inflamatória (SACCÀ et al., 2018; PELLEGRINI et al., 2020).

Wang e Daggy (2017) conduziram uma revisão na qual avaliavam o papel do óleo de peixe nas doenças oculares inflamatórias, como na Síndrome do Olho Seco e na Degeneração Macular Relacionada à Idade. Os mediadores lipídicos, como eicosanoides e os mediadores pró-resolução (MPRs), liberados da membrana plasmática, foram os principais agentes no processo inflamatório dessas doenças e sua resolução; e o ômega-3, além dos benefícios já esclarecidos nas doenças cardiovasculares, emergiu como um substrato importante para a síntese de MPRs. Assim o óleo de peixe pode auxiliar no tratamento de ambas por sua ação anti-inflamatória e modular a angiogênese, sendo crucial para controlar neovascularização corneal e coroidal, que está envolvida no processo patológico dessas doenças e associada à perda da visão nos indivíduos.

Giannaccare et al. (2018) conduziram uma meta-análise de estudos clínicos randomizados em que avaliaram a eficácia da suplementação com ômega-3 no tratamento da Síndrome do Olho Seco. Reunindo 17 estudos e uma amostra de 3.363 participantes, o grupo intervenção, quando comparado ao controle, demonstrou redução significativa dos sintomas e sinais dessa doença e melhora do teste de Schimer (avalia a eficiência da produção lacrimal) e do teste do Tempo de Ruptura do Filme Lacrimal (avalia o grau de proteção da superfície ocular oferecido pela lágrima).

Quanto à Retinopatia Diabética, os benefícios do ômega-3 também são estudados. Um estudo conduzido por Sala-Vila et al. (2016), que reuniu 3.482 participantes, com idade média de 67 anos, avaliou se o consumo diário mínimo de 500 mg de ômega-3, como prevenção cardiovascular primária, poderia auxiliar na redução da retinopatia causada pelo diabetes tipo II. Os autores concluíram que, em indivíduos de meia-idade e mais velhos com diabetes tipo 2, essa ingestão diária, facilmente alcançável com 2 porções semanais de óleo de peixe – devido ao baixo consumo de peixe pela população, sendo necessário utilizar os suplementos ‒, está associada à redução da retinopatia diabética.

Merle et al. (2017) avaliaram, em indivíduos com histórico familiar de Degeneração Macular Relacionada à Idade, os níveis plasmáticos de DHA, correlacionando-o com a densidade óptica de pigmentos maculares. Os autores concluíram que aqueles que tinham maiores níveis circulantes, também eram os com uma maior densidade óptica desses pigmentos. Já em relação ao glaucoma, uma revisão (PINAZO-DURAN et al., 2018) avalia o impacto de diversas estratégias antioxidantes para reduzir o estresse oxidativo em indivíduos com essa doença, reunindo diversos estudos que demonstram que o ômega-3, assim como outros nutrientes, auxilia na regulação da pressão intraocular e a proteger as células ganglionares da retina contra o estresse oxidativo.

Assim, a suplementação com ômega-3 pode ser uma aliada no tratamento e na prevenção de diversas desordens. Por isso, é importante a escolha de um suplemento de óleo de peixe que tenha alta concentração, apresente certificação de qualidade, seja isento da contaminação por metais pesados e ainda contenha vitamina E para evitar a oxidação, assim como os ômegas que fazem parte da família da B.Health!

REFERÊNCIAS

PELLEGRINI, M. et al. The Role of Nutrition and Nutritional Supplements in Ocular Surface Diseases. Nutrients, v. 12, n. 4, p. 952, 2020.

SACCÀ, S. C. et al. The Eye, Oxidative Damage and Polyunsaturated Fatty Acids. Nutrientes, v. 10, n. 6, p. 668, 2018.

MUN, J. G. et al. Choline and DHA in Maternal and Infant Nutrition: Synergistic Implications in Brain and Eye Health. Nutrients, v. 11, n. 5, p. 1125, 2019.

WANG, H.; DAGGY, B. P. The Role of Fish Oil in Inflammatory Eye Diseases. Biomedicine Hub, v. 2, n. 1, p. 1-12, 2017.

GIANNACARE, G. et al. Efficacy of Omega-3 Fatty Acid Supplementation for Treatment of Dry Eye Disease: A Meta-Analysis of Randomized Clinical Trials. Cornea, v. 38, n. 5, p. 565-573, 2019.

SALA-VILA, A. et al. Dietary Marine ω-3 Fatty Acids and Incident Sight-Threatening Retinopathy in Middle-Aged and Older Individuals With Type 2 Diabetes: Prospective Investigation From the PREDIMED Trial. JAMA Ophthalmology, v. 134, n. 10, p. 1142-1149, 2016.

MERLE, B. M. J. et al. Plasma Long-Chain omega-3 Polyunsaturated Fatty Acids and Macular Pigment in Subjects With Family History of Age-Related Macular Degeneration: The Limpia Study. Acta Ophtalmologica, v. 95, n. 8, p. e763-e769, 2017.

PINAZO-DURAN, M. D. et al. Strategies to Reduce Oxidative Stress in Glaucoma Patients. Current Neuropharmacology, v. 16, n. 7, p. 903 – 918, 2018.

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